Os “pés de pato” do ABC Paulista são sinistros – e crêem em Deus

Os “pé de pato” do ABC Paulista são sinistros !!!!!!

Entre 1978-1990, fui um favelado do ABC Paulista e morei em várias favelas de São Bernardo do Campo, Santo André, Santo Amaro, mas onde morei por mais tempo foi em favelas em Diadema.

Durante o referido período, tive que aprender a sobreviver no meio da guerra civil existente entre traficantes e policiais, tentando o máximo possível ficar na neutralidade.

Se eu ficasse do lado dos traficantes e a “P2” ficasse sabendo, então além de preso, possivelmente eu seria torturado e morto…

Se eu ficasse do lado da polícia e os traficantes ficassem sabendo, então era só uma questão de minutos pra eu e toda minha família amanhecermos com a boca cheia de formigas em alguma valeta dentro da própria favela ou matagal mais próximo…

Neste contexto, manter a neutralidade para continuar vivo não é tarefa fácil, mas consegui executá-la durante 12 longos anos…

Nesta pseudo-neutralidade tive que fazer “amizade” com os “pé de pato”, que na verdade são assassinos de aluguel que fazem seu “trabalho” no ABC Paulista, além de também viverem do tráfico.

O curioso que durante o período em que fui favelado, não conheci um único “pé de pato” que fosse ateu, agnóstico ou mesmo herege, todos os que conheci (mais de 50) eram devotos de “nossa” Senhora Aparecida, a “padroeira” do Brasil…

Quando recebiam uma “encomenda”, pediam metade do pagamento antes do “serviço” ser feito e a outra metade logo após a “encomenda” ser entregue.

Antes de abordarem a vítima, é comum os “pé de pato” rezarem e pedirem proteção pra “Virgem” Maria de Aparecida do Norte, para que a mesma crie uma situação favorável para a execução do “serviço”. Inclusive para garantir que o revólver não falhe e que as balas sejam guiadas pela “virgem” e que não errem o alvo.

Depois do “serviço” executado, antes mesmo de cobrarem do mandante (“contratante”) a outra metade do pagamento, os “pé de pato” rezam para a “Virgem” Maria e pedem que ela própria dê um lugar merecido no céu para a “encomenda”.

Além disto, pelo menos uma vez por ano, os “pé de pato” fazem romaria até Aparecida do Norte, pagam promessas e penitências para a “virgem” em sinal de agradecimento por tudo estar correndo muito bem em seu “serviço” e reforçam o pedido para que a “virgem” nunca deixe de atendê-los e ajudá-los em suas rotinas de “trabalho”…

Dentre os “pé de pato” com os quais tive que conviver e fazer “amizade”, um deles atendia pelo nome de “Chiquinho da Cabeça Branca”. Sendo que quando eu o conheci ele já tinha feito mais de 150 “encomendas”. Mas em função da “amizade” que eu tinha com ele, fiz a seguinte pergunta:

- Chiquinho, sem querer te ofender, mas levando em conta o que você faz para ganhar o “pão de cada dia”, você não tem medo de Deus? Ou você não crê em Deus?

- De modo algum Clodoaldo, creio em Deus sim e tenho muita fé em Nossa Senhora Aparecida, assim como meus colegas de trabalho.

- Mas Chiquinho, se é assim como você afirma, você e seus colegas de trabalho não têm medo de ir pro inferno?

- Temos sim muito medo de ir pro inferno, mas não deixamos de rezar e ficar mais de um ano sem ir até Aparecida do Norte. E além disto, para cada 10 “serviços” que fazemos, então matamos 01 ateu para aliviar nossos pecados. Esta proporção de “10 pra 01”, é a melhor maneira que temos para agradar a Deus e ele “zerar” todos os nossos pecados…

Nesta época eu já era um ateu, mas não assumia tal condição pra qualquer um. E depois desta conversa macabra que tive com o “Chiquinho da Cabeça Branca”, passei a pensar e muito antes de assumir publicamente minha descrença em Deus.

Sobre esta conversa que tive com o “Chiquinho da Cabeça Branca”, sinceramente, eu quase que vomitei, urinei, defequei e desmaiei ao mesmo tempo, de tanto medo e horror quando ele falou da proporção de “10 pra 01”…

Até hoje ainda fico surpreso com o enorme autocontrole que tive…

Hufa!!!!…

Mas que aperto que passei…

Obs1: o “Chiquinho da Cabeça Branca” e outros “pé de pato” que conheci, morreram sem saber que sou ateu…

Obs2: normalmente quando os “pé de pato” ultrapassam a marca de 50 “encomendas”, se “arrependem” da maneira que usam para “ganhar o pão de cada dia”, acabam abandonando o catolicismo e fundam suas próprias igrejas evangélicas. Ou seja, se tornam comerciantes da fé e tentam competir com as gigantes deste tipo de mercado. Alguns destes ex-”pé de pato”, acabam tirando parte dos clientes da Igreja Católica. Outros para continuarem no comércio da fé, acabam sendo sub-gerentes das filiais de David Miranda, Edir Macedo e outros gigantes do mercado da fé…

Obs3: o “Chiquinho da Cabeça Branca”, embora tenha ultrapassado e muito esta marca de 50 “encomendas”, não se “arrependeu” e nem fundou sua própria igreja evangélica…

Obs4: será que os “pé de pato” só existem no ABC Paulista?

Será que há algum lugar no mundo onde não existam grupos de extermínio que seguem padrões semelhantes aos dos “pé de pato” do ABC Paulista, independentemente de qual religião sejam?

Sinceramente, a resposta é não…

Afirmo que este padrão de comportamento bizarro e macabro não é um fato isolado e que não existe apenas no ABC Paulista e nem é privilégio apenas de fanáticos católicos…

Há mais de 20 anos que venho fazendo análises comparativas das mais variadas manifestações religiosas com as quais tenho contato, principalmente no tocante aos fanatismos existentes nas mesmas, e por incrível que pareça, desconheço um único fanático religioso que não siga pelo menos um de tais padrões de comportamento, não importa a religião a qual esteja submisso…

Clodoaldo Alves Oliveira

OLIVEIRA, Clodoaldo Alves. (clodoaldo3005@yahoo.com.br). (16/10/07). Os “pé de pato” do ABC Paulista são sinistros !!!!!!. E-mail to: O Reino de Deus (oreinodedeus@grupos.com.br).

Comentários de O Reino de Deus

A alegação de que tais assassinos de aluguel são apenas muito poucos entre os cristãos e estão longe do perfil médio dos cristãos está correta. Mas o mínimo que podemos dizer é que os tais chamam a atenção.

Quando cristãos pensam que a fé em Jesus Cristo produz um caráter excepcionalmente bom, ou pelo menos melhor, eles acertam se assumidos os pressupostos de sua fé, mas erram quanto à experiência prática. Não há diferença positiva significativa entre o caráter do cristão mediano e o do não-cristão mediano.

Um criminoso cruel é dito um monstro “sem Deus”. Essa idéia vem da ignorância discutida em “Um folheto evangelístico mostra a ignorância e o preconceito em relação aos ateus”. E para não citarmos os textos bíblicos que cobram intolerância e assassinato por questões religiosas, raciais, de conduta sexual e outras, fiquemos apenas no caso dos pistoleiros que crêem em Nossa Senhora Aparecida.

Walter Nunes Braz Júnior / O Reino de Deus

Grupo O Reino de Deus:

 

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